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03.Jan.2006 - Ocean Air cresce com o Fokker 100 - O Estado de S.Paulo
O Fokker 100, aeronave que ficou estigmatizada ao protagonizar um dos mais graves acidentes da história do País, em outubro de 1996, sob a bandeira da TAM, deverá fazer parte da aviação nacional por bastante tempo. Enquanto a TAM, que ainda opera com 25 aeronaves deste modelo, planeja devolvê-las para os arrendadores progressivamente até 2008, a Ocean Air acaba de importar outras 10 aeronaves.
A empresa de German Efromovich, que opera em linhas regionais, tem planos agressivos para aumentar sua participação no mercado doméstico. A empresa pretende passar dos atuais 1,5% de mercado para 6% ainda este ano. Para isso, ela acaba de adquirir, por US$ 60 milhões, dez equipamentos Fokker, que pertenciam à American Airlines.
Entretanto, diante do estigma do modelo 100, a Ocean Air resolveu chamar a aeronave de MK-28. O nome de catálogo da aeronave é F28-MK100, mas é por Fokker 100 que ela é conhecida em todo o mundo. "Cada empresa adota o nome comercial que bem lhe convier", afirma o vice-presidente da Ocean Air, Jorge Alberto Vianna. Ele reconhece que há de fato um estigma com relação a aeronave, mas defende o equipamento como uma alternativa segura e econômica.
Apesar do acidente e dos diversos incidentes acontecidos com o Fokker 100 da TAM no final dos anos 90, ele é de fato considerado seguro. Entretanto, técnicos do setor afirmam que ele exige das empresas operadoras um excesso de cuidados com a manutenção. "É um avião delicado, não basta seguir as exigências do manual, é preciso ter um colchão de segurança 10% maior do que o exigido", explica um analista do setor.
"O Fokker 100 tem uma história de desempenho excelente para rotas de curta e média distância. A American Airlines teve 99 aviões desse tipo por 12 anos sem nenhum acidente", diz o vice-presidente da Ocean Air. "Já aconteceram acidentes com o Boeing 737, com o MD-11. O que aconteceu com a TAM foi um azar, uma fatalidade. Mas, quando se tem dois acidentes em um único dia, será que é culpa do avião?"
Modelo da década de 80 que parou de ser produzido em 1997 com a falência do fabricante holandês, o Fokker 100 foi um campeão de vendas entre o final dos anos 80 e a metade da década de 90. Perdeu competitividade para a Boeing e a Airbus, o que acabou provocando a falência do fabricante.
Apesar do trauma provocado pelo acidente, a TAM deve seu crescimento e transformação de empresa regional para nacional ao Fokker 100. Sem capital para adquirir Boeings e Airbus, a empresa montou sua estratégia a partir dos Fokker. O acidente atingiu mais a aeronave do que a companhia, que não sentiu nenhum impacto negativo em seus balanços.
De acordo com a TAM, a devolução prevista das aeronaves - sete em 2006 e 18 até 2008 - está alinhada com a política de manter uma idade média da frota baixa, de 5 a 7 anos. Hoje, a empresa utiliza os aviões em vôos para o interior e para o Nordeste e também para operações de fretamento com a operadora de viagens CVC.
No mercado, comenta-se que a empresa tirou o avião das rotas de maior visibilidade. A empresa nega. Diz que eles também estão em operação no Sul e no Sudeste e que são utilizados em rotas de menor visibilidade por se tratar de um avião adequado para rotas de menor densidade.
Da mesma forma que aconteceu com a TAM, a Ocean Air aposta no Fokker para subir um degrau no setor aéreo. "Já esgotamos todas as possibilidades de atendimento com os aviões de 30 a 50 lugares. Para crescer, precisamos partir para uma frota maior ", afirma Vianna. A empresa chegou a cogitar em adquirir uma frota mais moderna, como os aviões da Embraer, mas descartou por causa do preço.
O Embraer 190, campeão de vendas na categoria 100 lugares, custa US$ 36 milhões. O Fokker 100 com 13 anos de operação - metade de sua vida útil -, e com toda a manutenção já feita, como é o caso das aeronaves adquiridas pela empresa, custa US$ 6 milhões. "Aos preços do mercado, a opção recai sobre o Fokker." |
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