19/04/2014

Segurança de vôo
    Prevenção
    Sistema e Estrutura
Mandamentos da Segurança
Reportes e Relatos
DAC
    Relatório de Perigo
Estatísticas
Fatores Humanos
    C.R.M.
    Instrução e Treinamento
    Medicina Aeroespacial
    Psicologia na Aviação
Controle de Tráfego Aéreo
Operação
    Aeronaves
    Infraestrutura
Manutenção Preventiva
Comissariado
Meteorologia
Engenharia
    Desenvolvimento
    Produção
Helicópteros
Transporte de Carga
Passageiro
Calendário
    Eventos
    Cursos
Aviação Aerodesportiva
    Aeromodelismo
    Asa Delta - Traike
    Balonismo
    Experimentais
    Paraglider - Parapente
    Pára-quedismo - PQD
    Planador
    Ultraleves
Aviação Geral
    Aeroclubes
    Escolas
    Particulares
    Aviões
    Vôo Virtual
Aviação Comercial
Links
    Links por assunto
    Sugestões de Links
Estórias dos Céus
    Aconteceu comigo
    Gente que Faz
Riscos no ar
Curiosidades
Forum
Colunistas
    André Malta
    Carlos Filipe dos Santos Lagarinhos
    Cmte José Fragoso
    Daniel Celso Calazans
    Débora Pereira Rufino
    Eng.Jefferson Vieitas Fragoso
    Mauricio Soares Ribeiro
    Mónica Gómez Caniella
    Solange
Fotos
Utilidade Pública
Quem Somos
Cadastro
Contato

Created by

 


Publicidade
Untitled Document

Air Safety Group.com.br
Busca de Artigos
TRANSPORTE DE CARGA
Cargas perigosas. Porões perigosos. Você em perigo.

Imagine um B-747 voando sobre o Oceano Índico, próximo à Ilha de Madagascar, com destino à África do Sul. Tudo bem até que há um alarme de fogo em um dos porões. Os procedimentos são cumpridos, mas o fogo persiste. Sua intensidade aumenta até que o incidente se torna um terrível acidente fatal que destrói a aeronave, tripulantes e passageiros e faz com que o bonito azul oceano se torne o túmulo de todos, sem piedade.

Imagine agora um DC-9 decolando de Miami e que, sobre o grande pântano dos Everglades, haja um alarme de fogo nos porões seguido de intensa fumaça e calor. A decisão de retornar é imediata, mas o incêndio é mais rápido e forte, destruindo cabos e hastes de comando, derretendo o pido da cabine de Pax e cockpit, e levando à incapacitação e morte dos pilotos ainda em vôo precipitando a aeronave ao solo, em trajetória vertical, sem nhuma chance de sobrevivência.

Imagine uma aeronave sofisticada, bem mantida e em perfeitas condições. Uma tripulação bem treinada, motivada e profissional. Uma empresa bem estruturada, sintonizada no mercado e com excelentes resultados. Uma carga inadequada, mal acondicionada, perigosa...

Os incidentes decorrentes de cargas perigosas - 'Dangerous Goods' - têm crescido até mais que a proporção do crescimento do tráfego. As causas são diversas, mas pode-se listar basicamente:

- Falta de política de segurança de 'Dangerous Goods'.
- Fiscalização deficiente: cuidado jcom a carga em seu recebimento, acondicionamento e transporte.
- Carregamento apressado e não orientado quanto à última oportunidade de check de seu conteúdo, compatibilidade, acondicionamento e liberação para aquele transporte.
- Deficiência na NOTOC ('Notice to Captain'), por falta de seu preenchimento, entrega ao comandante da aeronave e acuracidade da mesma quanto ao declarado / embarcado.
- Cuidado não adequado do comandante quanto à NOTOC e sua correlação com respectiva carga.

Os produtos perigosos são classificados como:

- Explosivos: munição em geral, TNT, pólvora, fogos de artifício, sinalizadores de emergência e etc.
- Gases Inflamáveis: butano, meteria, sprays inseticidas, hidrogênio, oxigênio e etc.
- Líquidos Inflamáveis: álcool, metanol, fluído para isqueiro, querosene e etc.
- Sólidos Inflamáveis: fóstoro, carbureto, cânfora, lítio e etc.
- Óxidos-Comburentes e Peróxidos Orgânicos: permanganato de potássio, fertilizante à base de nitrato de amônia e etc.
- Infecciosos e Venenosos: material para exames de laboratório, vacinas, inseticidas e etc.
- Radioativos: aparelho de raio-X, pára-raio, detectores de fumaça e etc.
- Corrosivos: cargas de extintores de incêndio, mecúrio e etc.
- Diversos: gelo seco, ímas, artigos de toalete e etc.

Qualquer substância dessas classes deve ser submetida a cuidados especiais para seu transporte em aeronave. O transporte de radioativos tem que obdecer critérios rígidos de classificação e sua segregação. Sua proximidade produz acúmulo de radiação que potencializa o seu valor e produz o risco. Para cada produto há um índice chamado TI (Transport Index) que deve ser consultado em tabela de segregação e separação entre os mesmos.

Os 'Dangerous Goods' possuem sua classificação / segregação. Não é possível acondicionar em um mesmo porão certas classes, tais como:

- Gelo seco (ICE) e animais vivos (AVI).
- Restos mortais (HUM) e alimentos (EAT).

Alguns critérios são básicos e devem ser observados:

- Gelo seco: até 250 kg para refrigerar perecíveis não perigosos.
- Cilindro médico: para uso médico e fornecido pela empresa.
- Munição: até 5 kg/Pax, em caixa reforçada, para fins esportivos.
- Cadeira de rodas elétrica movida à bateria: em posição vertical, com terminais desligados e isolados.
- Cilindro de dióxido de carbono: acoplado ao colete salva-vidas.
- Bebidas alcoólicas: recipientes de menos de 5 litros.
- Remédios ou artigos de toalete: até 2 litros no máximo.
- Fósforos e isqueiros: à vista do pax, com recargas em fluidos proibidos.
- Gases paralisantes para defesa pessoal: proibidos.

A IATA produz um excelente manual sobre o assunto que regulamenta e detalha toda a questão.

O Código Brasileiro de Aernáutica estabelece que o comandante é responsável pela carga desde que tenha conhecimento da mesma. A NOTOC é o documento hábil para tal. É o mínimo de fiscalização a ser exercido pela tripulação. Contudo, em vôos-cargueiros, não deixe de verificar o estado geral de seu porão de cargas. Tenha 'olhos clínicos' antes de fechar as portas.

Fique sempre alerta com o que vai a bordo de sua aeronave. Não deixe que a 'rapidez' da operação seja confundida com 'pressa'. Em caso de dúvida, verifique novametne e tome a medida mais adequada para uma carga perigosa: desembarque-a.

Imagine se você está voando e soa o alarme de fogo em um porão / cabine ou começa - e calor forte e... você não está perto de nenhum aeródromo disponível e adequdo...

Imagine...

Autor: Comandante Rocky (A330) - Flight Safety Officer
Adaptado por Rodrigo Gevaerd.

voltar
 
 

 

TODOS DIREITOS RESERVADOS . 2003 . AIRSAFETYGROUP